A Páscoa Bíblica
A palavra páscoa designa a festa dos judeus, que no hebraico é chamada pasach que significa “saltar por cima”, “passar por sobre”. Esse nome surgiu em face da tradição de que o anjo da morte, ou o anjo destruidor, “passou por sobre” as casas assinaladas com o sangue do cordeiro pascal, quando ele matou os primogênitos dos egípcios (Ex. 12.21-30).
Chamou pois Moisés a todos os anciãos de Israel, e disse-lhes: Escolhei e tomai vós cordeiros para vossas famílias, e sacrificai a páscoa.
Então tomai um molho de hissopo, e molhai-o no sangue que estiver na bacia, e passai-o na verga da porta, e em ambas as ombreiras, do sangue que estiver na bacia; porém nenhum de vós saia da porta da sua casa até à manhã.
Porque o SENHOR passará para ferir aos egípcios, porém quando vir o sangue na verga da porta, e em ambas as ombreiras, o SENHOR passará aquela porta, e não deixará o destruidor entrar em vossas casas, para vos ferir.
Portanto guardai isto por estatuto para vós, e para vossos filhos para sempre.
E acontecerá que, quando entrardes na terra que o SENHOR vos dará, como tem dito, guardareis este culto.
E acontecerá que, quando vossos filhos vos disserem: Que culto é este?
Então direis: Este é o sacrifício da páscoa ao SENHOR, que passou as casas dos filhos de Israel no Egito, quando feriu aos egípcios, e livrou as nossas casas. Então o povo inclinou-se, e adorou.
E foram os filhos de Israel, e fizeram isso como o SENHOR ordenara a Moisés e a Arão, assim fizeram.
E aconteceu, à meia noite, que o SENHOR feriu a todos os primogênitos na terra do Egito, desde o primogênito de Faraó, que se sentava em seu trono, até ao primogênito do cativo que estava no cárcere, e todos os primogênitos dos animais.
E Faraó levantou-se de noite, ele e todos os seus servos, e todos os egípcios; e havia grande clamor no Egito, porque não havia casa em que não houvesse um morto.
A história dos hebreus no Egito é uma das muitas várias vezes contadas desde que éramos crianças.
Desde a transição do período de liberdade na época de José, passando assim depois o povo hebreu para uma condição de escravidão. O livro do Êxodo narra o período do ápice desse conflito e sofrimento e demonstra o juízo de Deus sobre os deuses do paganismo egípcio (Êxodo 12:12 – E eu passarei pela terra do Egito esta noite, e ferirei todo o primogênito na terra do Egito, desde os homens até aos animais; e em todos os deuses do Egito farei juízos. Eu sou o SENHOR).
A sequência da história são as pragas enviadas por Deus e a incapacidade de Faraó e de sua gente em neutralizar essas pragas.
O ponto culminante da ação divina é a morte dos primogênitos (homens e animais!).
A Páscoa no contexto da servidão egípcia é justamente o episódio no qual o anjo da morte passa por sobre as casas e fere de modo letal todos os primogênitos dos homens, das ovelhas, dos bois.
Todavia as famílias que cumpriram as instruções de Deus, antes da execução da última praga, em seguir um ritual, no qual um cordeiro ou cabrito de um ano e meio e sem defeito deveria ser selecionado, no décimo dia do mês de Abibe (primavera). Abibe significa espigas verdes de trigo, ou frutas frescas, de acordo com a tradução de Jerônimo.
O animal deveria ser morto no décimo quarto dia, quando caía a tardinha, e seu sangue deveria ser aplicado às vergas e umbrais da porta de entrada de cada casa. Depois disso os hebreus deveriam comer a refeição de páscoa (Carne assada, pão sem fermento e ervas amargosas).
A dupla significação da Páscoa
- A Redenção – Como uma questão histórica envolve muitas implicações e símbolos morais e religiosos, representa a libertação dos judeus da servidão no Egito.
- A Festa da Natureza – A páscoa incluía uma festa agrícola que envolvia as primícias (Lv 23.10).
O significado da Páscoa para nós hoje
João 1.14
“E o verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai”.
Lucas 22:14-20
E, chegada a hora, pôs-se à mesa, e com ele os doze apóstolos.
E disse-lhes: Desejei muito comer convosco esta páscoa, antes que padeça;
Porque vos digo que não a comerei mais até que ela se cumpra no reino de Deus.
E, tomando o cálice, e havendo dado graças, disse: Tomai-o, e reparti-o entre vós;
Porque vos digo que já não beberei do fruto da vide, até que venha o reino de Deus.
E, tomando o pão, e havendo dado graças, partiu-o, e deu-lho, dizendo: Isto é o meu corpo, que por vós é dado; fazei isto em memória de mim.
Semelhantemente, tomou o cálice, depois da ceia, dizendo: Este cálice é o novo testamento no meu sangue, que é derramado por vós.
Qual a importância da Páscoa para nós crentes, para o mundo moderno e para todas as culturas e povos do mundo.
Quando se fala de Páscoa, normalmente destaca-se o sofrimento, morte de Jesus e sua ressurreição, ou seja a Paixão de Cristo.
Para trazermos até hoje a importância da Páscoa é necessário entendermos o significado de alguns símbolos que são mostrados no nas Escrituras, passando pelo tempo de Jesus e chegando a nós hoje.
A redenção representada na páscoa é ainda anterior aos episódios do Egito com o povo hebreu.
A redenção que comemoramos na páscoa é revelada desde o início de todas as coisas, como encontramos no livro de Gênesis a partir da queda do homem quando Deus provê vestimenta para Adão e Eva, que perceberam estar nus, após a desobediência.
A pele do animal que Deus utilizou, serviu para cobrir a nudez da humanidade, a vergonha, o arumin (estar revestido da serpente! hebraico).
A morte daquele animal, o derramamento de sangue já é apresentado como condição necessária para “cobrir” o pecado do homem.
Embora o homem houvesse pecado, o propósito de Deus em tê-lo criado não foi frustrado. A promessa estava de pé: “ da semente da mulher viria um que esmagaria a cabeça da serpente”.
O tempo segue com homens e mulheres que foram destaque na Bíblia como tementes a Deus e embora outros afastados dos preceitos do Senhor.
Abel agradando a Deus com sua oferta e sendo assassinado pela inveja de Caim.
A corrupção do gênero humano cresce e vem o Dilúvio – Noé e sua família são agraciados por Deus e são poupados da morte.
A natureza pecaminosa do homem sempre o impulsiona ao mal, sempre o empurra a transgredir a ordem de Deus. Surge então a cidade Babel, quando os moradores decidem construir uma cidade que os faça conhecidos e por meio de uma torre, obra de suas mãos, querem chegar aos céus. O intento daqueles homens não prosseguiu. E Deus faz com que sejam dispersos pela terra.
A aliança de Deus com a humanidade mais uma vez é confirmada ao chamar Abraão e prometer por meio dele abençoar as demais nações.
A benção para as nações não aconteceu por meio de Abraão, nem de Isaque, nem de Jacó. Também não aconteceu por meio de José ou Moisés.
Não aconteceu porque a promessa referia-se ao único homem capaz de esmagar a cabeça da serpente, como foi prometido em Gênesis, o único capaz de ser a descendência que iria abençoar todas as nações da terra. O único capaz de vencer a morte: Jesus Cristo!
Deus no meio dos homens, vivendo como homem, mas manifestando a graça que só Deus tem.
Por isso João escreveu (João 1.14): “E o verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai”.
O testemunho de João combate toda incerteza e heresia da época que afirmava que Jesus Cristo não era Deus. Defende que a mesma glória que encontra-se em Deus está em Jesus Cristo.
João ainda destaca a graça de Deus que está em Cristo.
A graça que é o favor imerecido, é a manifestação do amor de Deus pela humanidade pecadora, afastada de seu propósito, distante dele pelo pecado, mas que tem agora o caminho de volta à Deus em Cristo Jesus.
E como complemento à palavra dita por João, o Apóstolo Paulo fala à
Tito (Tito 2.11) “Porque a graça de Deus se há revelado, trazendo salvação a todos os homens”.
Quando falamos da Páscoa não podemos deixar de falar que fomos alcançados pela graça de Deus manifestada em Cristo, em seu sacrifício, morte e ressurreição. O sofrimento na Rude Cruz, como fala o hino, foi a garantia e o poder de resgate de nossas vidas, nos justificando perante Deus como santos.
Podemos afirmar com convicção que a Páscoa é o grande milagre que nos possibilita retornar à Deus, voltar ao Pai, com arrependimento dos pecados cometidos. É voltar a casa do Pai, como fez o filho pródigo e foi recebido com festa. Estava perdido e foi encontrado, estava morto e reviveu. Sujo, foi limpo e vestido com roupas novas.
A Páscoa para nós é verdadeira, não é apenas uma celebração social que fazemos todos os anos.
A Páscoa para nós é verdadeira porque mostra o resultado em nossas próprias vidas resgatadas da perdição, resgatada da morte eterna.
A Páscoa representa para nós hoje o perdão de nossos pecados, nossa aceitação perante Deus como justos. Somos declarados justos, cumprindo assim a exigência da Lei que nos condenava à morte.
A Páscoa, morte e ressurreição de Cristo Jesus, também é nossa morte e ressurreição.
Escrevendo aos Efésios 2.1 Paulo afirma: “Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados”, continua no V.4 – 7 “mas Deus rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo – Pela graça sois salvos, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus; para mostrar, nos séculos vindouros, a suprema riqueza da sua graça, em bondade para conosco, em Cristo Jesus”.
Falar da Páscoa é falar de nossa ressurreição em Cristo, é falar do amor de Deus por todos nós.
Comemorar a Páscoa é agradecer à Deus pelo imenso amor que nos amou, porque jamais existiu maior amor que este: Dar a vida de seu próprio filho por amor de muitos. Comemorar a Páscoa é agradecer a Deus por nos ter declarado justos através do sacrifício de Cristo.
A justiça de Deus que deveria ser cumprida em nós com a nossa morte eterna, foi cumprida em Cristo Jesus, que recebeu nossos pecados, as nossas dores, o castigo que era para mim e você, foi sobre ele colocado. Isso sim é comemorar a Páscoa.
Páscoa é a misericórdia de Deus justificando milhares de pecadores, inclusive eu e você, para que fosse cumprida a promessa em Isaías:
(Is 53.10)
“Todavia ao Senhor agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando der ele a sua alma como oferta pelo pecado, verá a sua posteridade e prolongará os seus dias; e a vontade do Senhor prosperará nas suas mãos. Ele verá o fruto do penoso trabalho de sua alma e ficará satisfeito; o meu servo, o justo, com seu conhecimento, justificará a muitos, porque a iniqüidade deles levará sobre si”.
Nossas iniquidades foram levadas em Cristo na Páscoa, em sua morte e ressurreição.
Fomos feitos herdeiros através de Cristo, que não conheceu pecado, porém foi feito pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus” (2 Co 5.21).
Em face do sacrifício pascal, punida foi a nossa culpa e paga a nossa dívida impagável por nossos próprios méritos, ou por quaisquer obras que fizéssemos.
No livro de Salmos (Sl 49.7) é relatado o tamanho dessa dívida: “Ao irmão verdadeiramente, ninguém o pode remir, nem pagar por ele a Deus o seu resgate pois a redenção da alma deles é caríssima e cessará a tentativa para sempre”.
Jesus Cristo foi e é o único capaz de nos declarar justos e perdoar os pecados.
Não importa o que fizemos no passado, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados.
Páscoa é isso! O resgate de homens e mulheres pecadores da morte para a vida.
O lugar do resgate foi a cruz: O lugar da reconciliação. Ali o homem foi em direção à Deus e Deus veio a seu encontro. A cruz foi o ponto de contato entre a terra e o céu, entre o pecador arrependido e Deus. Somente ali seria possível a nossa reconciliação, pois o preço do resgate foi o próprio sangue de Jesus que foi derramado, Cristo o nosso substituto derramando seu sangue precioso e tendo seu corpo partido em nosso lugar, nos garantiu a vitória – Somos mais que vencedores!
Em Hebreus (Hb 9.22) diz que “sem derramamento de sangue não remissão”, o sangue de Jesus derramado foi o valor legal exigido para que a Lei fosse cumprida.
No Antigo Testamento, uma vez por ano, o Sumo Sacerdote entrava no lugar chamado Santos dos Santos para oferecer sacrifício pelo seu pecado e pelo pecado do povo. Era o sacrifício de um animal sem mácula e sem defeito.
1º) Sacrificava a vítima no altar dos holocaustos;
2º) pegava uma porção do sangue do animal ainda quente e adentrava ao santuário;
3º) Com a ponta do seu dedo, reverentemente, fazia aspersão sobre o propiciatório (sete vezes).
O propiciatório era uma lâmina de ouro puro, colocada sobre a coberta da arca do Concerto, que tinha nas extremidades dois querubins em ouro, com as asas abertas em postura de guarda e vigilância.
Dentro da arca, havia uma urna de ouro contendo o maná (dado no deserto), a vara de Arão que havia florescido e as tábuas do concerto.
Essa cerimônia de sacrifício representava a substituição do povo pecador pelo animal inocente, que fora morto no lugar do povo. Esse animal puro e inocente, sem mácula representava Cristo, numa demonstração do sacrifício eterno que viria no futuro e seria suficiente para apagar todos os pegados da humanidade.
“Quando, porém, veio Cristo como Sumo Sacerdote dos bens já realizados, mediante o maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, que dizer, desta criação, não por meio de sangue de bodes e de bezerros, mas pelo seu próprio sangue, entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, tendo obtido uma eterna redenção (Hb 9.11,12).
É por esse motivo que o Apóstolo João escreveu em 1 Jo 2.2 “Ele é a propiciação pelos nossos pecado, e não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro”
A páscoa é o sacrifício único do Cordeiro de Deus para a salvação de todo aquele que nele crê.
É a garantia de sermos recebidos por Deus e sermos declarados justos, sem pecados.
Páscoa significa vida para todos nós.